sexta-feira, 2 de abril de 2010

o inferno somos nós mesmos, isso sim!

Sem dinheiro pra pagar terapia ando lendo. E tenho obtido alguns resultados. Lentos... mas reais. É como diz noel rosa:
...a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim...
Pois é...a filosofia tem me ajudado!?
Sartre fala que o homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. Só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue se ver como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode se perceber por inteiro. "O ser Para-si só é Para-si através do outro", ideia que Sartre herdou de Hegel.


Assim, tenho revisto minhas atitudes aqui na Terra...pensando no que Sartre fala que "o inferno são os outros", e ao mesmo tempo, nós mesmos... e daí vem o que ele chama de má-fé. ou seja, cada escolha carrega consigo a obrigação de responder pelos próprios atos. E cada uma dessas escolhas provoca mudanças que não podem ser desfeitas, de forma a modelar o mundo de acordo com seu projeto pessoal.
Essa responsabilidade é a causa da angústia dos existencialistas. Essa angústia decorre da consciência do homem de que são as suas escolhas que definirão a sua essência, e mais, de que essas escolhas podem afetar, de forma irreversível, o próprio mundo. A angústia, portanto, vem da própria consciência da liberdade e da responsabilidade em usá-la de forma adequada.
Porém, Sartre não se restringe em "justificar" a angústia dos existencialistas, fruto da consciência de sua responsabilidade, mas vai além, e acusa como má-fé a atitude daqueles que não procedem de tal forma, renunciando, assim, a própria liberdade.
De acordo com o autor, a má-fé é uma defesa contra a angústia criada pela consciência da liberdade, mas é uma defesa equivocada, pois através dela nos afastamos de nosso projeto pessoal, e caímos no erro de atribuir nossas escolhas a fatores externos, como Deus, os astros, o destino, ou outro. Nesse sentido, Sartre considerava também a ideia freudiana de inconsciente como um exemplo de má-fé.
Podemos dizer, então, que para os existencialistas a má-fé compreendia a mentira para si próprio, sendo imprescindível para o homem abandonar a má-fé, passando então a condição de ser consciente e responsável por suas escolhas. Ao fazer isso, o homem passa, invariavelmente, a viver num estado de angústia, pois deixa de se enganar, mas em compensação retoma a sua liberdade em seu sentido mais pleno.
...daí parece que ando agindo com má-fé comigo mesmo e com o outro me recolhendo num mundo que reinvento dia a dia, até que não aguento por muito tempo, pois necessito do outro para ''ser no meio do mundo'', assim deixo que se aproximem, e com o tempo, quem se aproxima demais, torno responsável por minhas escolhas, as trato mal, até que se vão... por fim, torno a ficar só...ou seja, ando sendo o inferno pra mim mesma sem necessidade  e para o outro tambem.
...


O lado bom  é saber que  então tenho a liberdade de mudar minha vida deste momento em diante, pois cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu. Por isso se diz no existencialismo que "a existência precede a essência." Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser.

 Eu quero mudar meu para-si, sou um eterno "tornar-me", um "vir-a-ser" que nunca se completa.  Por mim mesmo não tenho acesso à minha essência...então, se só através dos olhos dos outros posso ter acesso à minha própria essência, ainda que temporária. Se só a convivência é capaz de me dar a certeza de que estou fazendo as escolhas que desejo. Meu desafio está aí, se consigo como Sartre desafiar o conceito de que o ego é um conteúdo da consciência e afirmar que ele está fora da consciência, no mundo e a consciência se dirige a ele como a qualquer outro objeto do mundo. consigo me livrar da consciência de conteúdos e torná-la o "Nada". . . . .

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sartre: “O inferno são os outros”

  Exercicio de retórica para 2a.feira.
dividdios em 3 grupos que irão atacar ou defender cada um dos 3 personagens: garcin, ines e estelle, da peça entre quatro paredes de sartre. nós atores seremos os advogadados dos personagens. bora ler a peça e preparar a sentença.
Abaixo um pouco do que trata a peça.
Na peça teatral “Entre quatro paredes” (1944), Sartre pondera-se sobre a questão da imagem e ilustra suas idéias filosóficas. A fenomenologia do Outro e do “ser para outro” foi um dos mais bem acabados pensamentos de Sartre. A dialética humana de “ser um com o outro” é central: ver e ser visto corresponde a dominar e a ser dominado.
Após morrer, três indivíduos vão parar no inferno (não se trata do estereotipado inferno cristão,com diabinhos, fornalhas etc.). Garcin, era um homem de letras. Pretendia ser um herói e foi um covarde. Seu maior tormento é que suas novas companheiras desvendam sua condição de covardia, que não pode ser mudada. É em vão que luta para fugir da pecha de covarde.
Estelle é uma fútil burguesa que ascendeu socialmente pelo casamento. Em nome do conforto, assassinou o bebê que teve com o amante e vê este, tomado pelo desgosto, suicidar-se. Tenta redimir-se atribuindo sua culpa ao destino. Deseja a paixão como forma de escapar à realidade.
Inês é homossexual, funcionária dos correios, agressiva, admite suas culpas. É a única que não procura se desculpar e compreende estar no inferno. O ódio a alimenta; sádica, goza com o sofrimento dos outros.
Não foram parar no inferno a toa: cada um responde por um crime. Estão confinados numa sala, sem espelhos, sem necessidade de se alimentar ou de dormir, por toda eternidade. São obrigados a se ver através dos olhos dos outros; olhos esses que não teriam sido os escolhidos para se conviver. Vaidosa e egoísta, é patético o desespero de Estelle por um espelho. Inês arregala os olhos para que ela possa se enxergar: ela se vê, tão pequenina... Tudo isso os incomoda bastante, pois não conseguem enganar uns aos outros por muito tempo e, aos poucos vão se constrangendo cada vez mais.
Inês tentará conquistar Estelle, que a repudiará. Estelle, por sua vez, buscará a paixão de Garcin, que a ignora. Inês, interessada em Estelle, jogará um contra o outro, explicitando as faltas deploráveis de ambos; faltas essas que nenhum quer admitir. Numa convivência insuportável, Estelle, revoltada, tenta matar Inês, mas ela dá boas gargalhadas: já está morta. Garcin tenta, inutilmente, convencê-la de que não é um covarde. Não conseguindo, tenta se vingar amando Estelle diante de Inês.
Sem que possam sequer expiar suas faltas, descobrem o horror da nudez psíquica que os outros lhes evidenciam. Está revelado o verdadeiro inferno: a consciência não pode furtar-se a enfrentar outra consciência que a denuncia, por isso: “o inferno são os outros”.
“Os Outros” são todos aqueles que, voluntária ou involuntariamente, revelam de nós a nós mesmos. Algumas vezes, mesmo sufocados pela indesejada presença do outro, tememos magoar, romper, ferir e, a contra-gosto, os suportamos. Uma vez que a incapacidade de compreender e aceitar as fraquezas humanas torna a convivência realmente um inferno, o angustiante existencialismo ateu sartriano não nos deixa saída. Sem o mínimo de boa-vontade, não há paraíso possível.

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